Por Rosane Antunes Jorge
A violência nas escolas não é um fenômeno novo. Todavia tem vindo a assumir proporções tais que a escola não sabe que medidas tomar para sanar este problema.
Argumentos para a violência são estudados por psicólogos, analistas, professores e tantos outros interessados em como melhorar o futuro dos alunos. Com certeza todo e qualquer esforço no sentido de entender ou identificar as razões que promovem tamanha violência nas escolas, passa necessariamente por uma analise da sociedade onde a escola está inserida, prioritariamente no tocante aos aspectos econômicos, culturais, disparidades de interesses conflitantes e toda a sorte de agressões a que estão submetidos os agentes no processo do fazer do cidadão.
No bojo das transformações, as relações entre cultura e educação são marcados pela violência, considerando essa dicotomia, verificamos a falta do entendimento do significado desses conceitos.
Faundes e Freire (1985,p.34), com opiniões bastante parecidas falam:
A cultura não é só a manifestação artística ou intelectual que se expressa no pensamento. A cultura manifesta-se, sobretudo, nos gestos mais simples da vida cotidiana. Cultura é o comer de modo diferente, é dar a mão de modo diferente, é relacionar-se com o outro de outro modo. A meu ver, a utilização destes 3 conceitos – cultura, diferenças e tolerância – é um modo novo de usar conceitos velhos conceitos. Cultura para nós gosto de frisar que se dá algo de essencial: o descobrimento da diferença.
Ainda sobre a cultura e algo sobre educação, Freire (1970) afirma que o mundo é um mundo de cultura, construído a partir da ação humana, e explícita o que considera como invasão cultural, que é antidialógica, e a opõe a ação dialógica, que deve ser, segundo ele, a verdadeira função da educação. Para o autor, toda educação deve ser um diálogo entre homens e mulheres “medializados pelo mundo, o pronunciam para a humanização de todos”.
Num qualquer dicionário de português, o termo violência é desccrito como uma "qualidade ou estado do que é violento; força empregada contra o direito natural de outrem; ação que se faz com o uso da força bruta, crueldade; força, tirania, coação. Neste sentido, a violência significa obrigar a fazer algo, utilizando a força.
A violência na sua maior parte protagonizada pelos jovens, que se agrupam, habitualmente no seio da teia urbana, adquirindo formas de pensar e agir. São conhecidos como grupos inadaptados aos padrões da sociedade. E a sociedade atual tem sofrido significativas transformações. A família, núcleo primordial de educação, tem vindo dissimuladamente a delegar esse papel para a escola, dado que é no contexto educativo que as crianças passam a maior parte do dia. Todavia, nenhuma instituição poderá substituir as condições educativas da família, nem parece ser razoável que seja unicamente a escola a ensinar valores tão necessários para o normal desenvolvimento da criança tais como a sã convivência, o respeito pelo outro, a solidariedade e a tolerância.
O papel da escola, como agência de socialização, de inserção de valores do grupo social deve ter o compromisso de propiciar ao aluno o desenvolvimento de habilidades e competências como capacidade de comunicar-se, habilidade de trabalhar em grupo e competência de resolver problemas.
Nas escolas, as relações do dia-a-dia deveriam traduzir respeito ao próximo, através de atitudes que levassem a amizade, harmonia e integração das pessoas, visando atingir os objetivos propostos no projeto político pedagógico da escola.
Com essas evidencias delegadas ao educador e a toda a comunidade escolar, de fato a escola tem a tarefa de prevenir e intervir em situações de desvio ou risco em qualquer aluno mais debilitado para a sociedade que convive de forma a criar mudanças qualitativas. Podendo exercer intencionalmente influencias positiva nos indivíduos, concomitantemente com outros trabalhos sociais de modo a colaborar com o aprendizado dos valores para a proteção e promoção social.
A violência é um problema social que está presente nas ações, manifestada de diversas formas entre todos os envolvidos no processo educativo. Porém o que vemos são ações coercitivas, representadas pelo poder autoritarismo dos professores, coordenação e direção, numa escala hierárquica.
Essa escala hierárquica que diz que o combate a violência, deve ser levado ao pé da letra, combater significa guerrear, bombardear, batalhar, o que não traz um conceito correto para se revogar a mesma.
Sei que nada disso é fácil. E a primeira tarefa é sairmos do discurso ou espírito da Lei e ingressar na ação concreta. Então, com o fim de colaborar nessa missão todos os segmentos envolvidos na comunidade escolar devem ser ouvidos, inclusive os alunos e trabalhar as contradições internas da escola, para que os procedimentos de gestão participativa para que todos possam propor melhorias para as relações humanas. Devemos fazer funcionar as estruturas democráticas da escola para aprofundar mais estudos de cidadania.
Considerando que a escola é um espaço onde diversas ambigüidades de interesses convivem diuturnamente, é quase normal que aos olhos do senso comum, a violência escolar apresente-se como um fenômeno aceitável, contudo, há de se cogitar um trabalho para que toda a sociedade se mobilize para proteger os cidadãos de amanhã.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)

